Eu tenho 28 anos e, olhando para a minha vida hoje, percebi que não estou exatamente onde imaginei que estaria.
Hoje eu estou morando no Paraguai, estudando medicina no terceiro ano, e percorri um caminho bem inusitado pra chegar aqui. Sabe quando eu era menor? Eu não tinha nada na minha cabeça. Era aquele garoto que, quando alguém perguntava o que queria ser, não sabia a resposta. Eu sempre senti que poderia ser qualquer coisa: advogado, policial, bombeiro, professor, vendedor... Eu era um 'coringa' sem rumo, e também não tinha dinheiro pra ficar testando faculdade igual muitos jovens fazem. Pra gente que cresce assim, é um pouco difícil, porque a sociedade muitas vezes te faz acreditar que a profissão é o que determina o seu valor.
Nasci em uma família cristã e carrego valores que estarão comigo até o final. Mas existe um conflito aqui: a distância entre quem eu sou e quem eu gostaria de ser. Por muito tempo, achei que essa distância era um defeito, um atraso. Mas hoje, no terceiro ano de medicina, longe do meu país, entendi uma coisa: talvez uma vida não seja encontrada pronta; talvez ela precise ser construída, tijolo por tijolo, mesmo que comece mais tarde.
E quando se trata de segurança? Sou o cara que não tem segurança nenhuma. A única certeza que eu tenho é que vou terminar a minha faculdade, independente das circunstâncias. Porque, no fundo, eu descobri um propósito. Mas olha, eu ralei muito pra descobrir isso. E, nesse longo processo, fui percebendo uma coisa dura: eu preciso caminhar com as minhas próprias pernas, sem muleta, sem apoio eterno.
E você, que está me escutando agora, sabia que você sofre uma pressão social gigantesca, mesmo sem ninguém ter te pressionado diretamente? A gente passa a vida achando que precisa mostrar algo para alguém. Mas, quando você analisa profundamente, a verdade é libertadora: você não tem que mostrar nada para ninguém.
E talvez seja essa a grande virada de chave. A vida não é sobre chegar num lugar perfeito. É sobre olhar pra trás e ver que cada tijolo colocado, cada erro, cada recomeço, fez parte de um projeto que você nem sabia que existia.
Eu vim de uma família cristã, e aprendi que a gente planta, rega, mas quem faz crescer não sou eu. O meu papel é simples: confiar e continuar. Mesmo sem segurança, mesmo sem saber o amanhã.
Então, se você está me ouvindo e se sente perdido, respira. Você não está atrasado. Você só está no seu tempo.
Eu não sei onde isso vai terminar. Mas, pela primeira vez, quero registrar o caminho. Porque, no fim, o que importa não é chegar rápido — é construir algo que faça sentido enquanto você caminha